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Artroscopia de punho: quando a cirurgia por vídeo é a melhor opção

Artroscopia de punho: quando a cirurgia por vídeo é a melhor opção

Artroscopia de punho: quando a cirurgia por vídeo é a melhor opção

Artroscopia de punho é uma cirurgia feita por meio de uma câmera de poucos milímetros, introduzida na articulação por pequenos cortes de cerca de meio centímetro. Ela serve tanto para confirmar o diagnóstico quanto para tratar lesões de ligamentos, lesões do TFCC, alguns cistos, fraturas selecionadas e problemas de cartilagem. Em relação à cirurgia aberta, a vantagem é enxergar a articulação por dentro com muito mais detalhe, com menos agressão aos tecidos. Por isso, a recuperação inicial costuma ser mais confortável. Nem toda dor no punho, porém, é caso de artroscopia.

Por que o punho é uma articulação tão difícil de investigar?

O punho não é uma articulação só. São oito ossos pequenos do carpo, as extremidades do rádio e da ulna, e uma rede de ligamentos curtos entre eles. Muitas dessas estruturas têm poucos milímetros. O raio-x mostra osso, e a ressonância ajuda muito, mas há lesões ligamentares e de cartilagem que ficam no limite do que a imagem consegue mostrar.

Na prática, atendo com frequência pacientes que caíram com a mão apoiada, fizeram raio-x normal, às vezes até ressonância pouco conclusiva, e continuam com dor ao apoiar o peso na mão, ao girar o punho ou ao fazer força. A artroscopia é a forma mais precisa de ver o que está acontecendo lá dentro.

Para que serve a artroscopia de punho?

As indicações mais comuns no meu consultório são:

  • Lesões do TFCC, o complexo de fibrocartilagem que estabiliza o lado do dedo mínimo do punho. Dependendo do tipo, a lesão pode ser regularizada ou suturada por artroscopia.
  • Lesões dos ligamentos entre os ossos do carpo, como o ligamento escafossemilunar. Quando não tratadas, podem levar a instabilidade e artrose ao longo dos anos.
  • Cistos sinoviais dorsais que voltaram depois de tratamento ou que incomodam. A ressecção por artroscopia deixa cicatrizes menores.
  • Fraturas do rádio distal que atingem a articulação, em que a câmera ajuda a alinhar os fragmentos com precisão, e algumas fraturas de escafoide.
  • Dor crônica sem diagnóstico definido, depois de esgotados os exames de imagem, quando a suspeita clínica de lesão interna é consistente.
  • Artrose localizada e sinovite, em casos selecionados, para limpeza articular ou pequenas ressecções ósseas.

Artroscopia é sempre melhor que a cirurgia aberta?

Não. É uma ferramenta excelente para o problema certo. Há situações em que a cirurgia aberta continua sendo a melhor escolha: reconstruções ligamentares extensas, artrose avançada que pede artrodese ou prótese, fraturas complexas que precisam de placa. Muitas vezes as duas técnicas são combinadas no mesmo procedimento. A artroscopia mostra exatamente onde está a lesão, e um acesso aberto pequeno resolve a parte que não dá para fazer só pela câmera.

O que decide a técnica é a lesão. A artroscopia só compensa quando traz vantagem real para o paciente.

Como a cirurgia é feita?

Geralmente é ambulatorial, com anestesia do braço e sedação, e o paciente vai para casa no mesmo dia. A mão fica suspensa em uma torre de tração, que abre um pouco os espaços entre os ossos. Pelos pequenos portais no dorso do punho, entram a câmera e instrumentos delicados. O procedimento é acompanhado num monitor com imagem ampliada. A duração varia muito conforme o que precisa ser feito: uma artroscopia diagnóstica é rápida, e a sutura de um TFCC ou o tratamento de uma lesão ligamentar leva mais tempo.

No fim, os portais são fechados com um ponto ou curativo adesivo, e o punho recebe uma tala ou órtese, conforme o que foi tratado.

Como é a recuperação?

Depende muito mais do que foi feito lá dentro do que da artroscopia em si. Uma limpeza articular ou a retirada de um cisto permite movimentar a mão em poucos dias e voltar ao trabalho de escritório rapidamente. Quando há sutura de TFCC ou reparo de ligamento, o tecido reparado precisa de tempo para cicatrizar, e a imobilização pode durar de quatro a seis semanas, seguida de reabilitação com terapeuta de mão. A liberação para esforço pesado e esportes costuma vir entre três e seis meses nesses casos.

O que a artroscopia muda de fato é o pós-operatório imediato: menos dor, menos inchaço, cicatrizes pequenas e menor risco de rigidez por aderência dos tecidos.

Quais são os riscos?

São baixos, mas existem: lesão de pequenos ramos nervosos sensitivos próximos aos portais (em geral causando dormência transitória numa pequena área da pele), lesão de tendões, infecção e rigidez. A curva de aprendizado da artroscopia de punho é longa, porque o espaço de trabalho é muito pequeno. Por isso, faz diferença que o procedimento seja feito por um cirurgião de mão com treinamento específico na técnica.

Perguntas frequentes

A artroscopia de punho é uma cirurgia grande?
Não. Os cortes medem cerca de meio centímetro, a cirurgia é ambulatorial e o paciente volta para casa no mesmo dia. O tamanho real do procedimento depende do que for tratado dentro da articulação.

A ressonância não é suficiente para fechar o diagnóstico?
Muitas vezes é. Mas algumas lesões de ligamentos do carpo e de cartilagem são pequenas demais para a ressonância mostrar com segurança. A artroscopia continua sendo o método mais preciso para avaliar o interior do punho.

Quanto tempo fico sem trabalhar?
Em procedimentos simples, como ressecção de cisto ou limpeza articular, o retorno a atividades leves costuma acontecer em poucos dias. Quando há reparo de ligamento ou TFCC, o afastamento de trabalhos que exigem força é mais longo, de algumas semanas a poucos meses.

Toda lesão do TFCC precisa de artroscopia?
Não. Muitas melhoram com imobilização, ajuste de atividades e fisioterapia. A cirurgia entra quando a dor persiste apesar do tratamento ou quando há instabilidade entre o rádio e a ulna.

Fica cicatriz?
Ficam pequenas marcas nos portais, que com o tempo costumam ficar pouco visíveis.

Dor no punho que não fecha diagnóstico

Se você convive com dor no punho depois de uma queda, com exames que “não mostram nada” e a mão continua sem aguentar esforço, vale uma avaliação com cirurgião de mão. A artroscopia é uma das técnicas que mais uso no dia a dia em Recife, e parte do meu treinamento foi dedicado a ela. Em muitos casos, porém, a primeira consulta já basta para definir que o tratamento pode ser conservador. Para agendar, use o WhatsApp do consultório.

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