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Fratura do rádio distal: quando o gesso resolve e quando a cirurgia é necessária

Fratura do rádio distal: quando o gesso resolve e quando a cirurgia é necessária

Fratura do rádio distal: quando o gesso resolve e quando a cirurgia é necessária

A fratura do rádio distal é a fratura de punho mais comum que vejo no consultório, e a resposta para a pergunta que todo paciente faz — gesso ou cirurgia? — depende basicamente de três coisas: se o osso ficou desviado, se a fratura entrou na articulação e se dá para manter o alinhamento só com imobilização. Quando nenhuma dessas complicações aparece, o gesso resolve. Quando aparecem, a cirurgia costuma ser o caminho mais seguro para recuperar a função da mão.

Como essa fratura costuma acontecer

O mecanismo clássico é a queda com a mão espalmada tentando amortecer o corpo. Em pacientes mais jovens, normalmente é um trauma de maior energia — acidente de bicicleta, queda de altura, esporte. Em pacientes mais velhos, principalmente mulheres na pós-menopausa, basta um tropeço em casa. Não é coincidência: o osso mais poroso da osteoporose fratura com um impacto que um osso saudável suportaria sem problema. Na prática clínica, é comum a fratura de punho ser o primeiro sinal de que a densidade óssea da paciente já não está boa, e isso vira gancho para investigar osteoporose de forma mais ampla.

Os sinais de que não é só uma torção

Dor incapacitante logo após a queda, inchaço rápido e, principalmente, uma deformidade visível — o punho parece dobrado de um jeito que não é normal — são os sinais que diferenciam uma fratura de uma entorse. Ainda assim, fratura sem grande desvio pode doer menos do que se espera e ser confundida com entorse por dias, o que atrasa o tratamento. Na dúvida, o raio-X resolve rápido: é barato, disponível na maioria dos prontos-socorros e mostra com clareza se há linha de fratura, desvio e se ela chega até a superfície articular.

Quando o gesso é suficiente

Fraturas sem desvio, ou que foram reduzidas (realinhadas) na sala de emergência e mantiveram um alinhamento aceitável, tratam bem com imobilização — geralmente entre quatro e seis semanas de gesso ou órtese rígida. O acompanhamento com raio-X de controle em intervalos curtos nas primeiras semanas é importante porque alguns fragmentos escorregam dentro do gesso, mesmo com a imobilização correta, e isso muda a decisão terapêutica no meio do caminho.

Quando a cirurgia entra em cena

Fratura com desvio significativo, cominição (o osso quebrado em vários fragmentos), instabilidade após a redução ou traço que invade a articulação do punho são situações em que, na minha experiência, o gesso sozinho tende a resultar em consolidação viciosa — o osso cicatriza torto, o punho perde amplitude de movimento e força de preensão, e o paciente sente isso no dia a dia meses depois. A cirurgia mais comum hoje é a fixação com placa e parafusos por via anterior (palmar), que estabiliza a fratura o suficiente para permitir movimentação precoce do punho, sem precisar de gesso prolongado. Idade avançada isoladamente não é contraindicação para cirurgia — o que importa é a condição funcional do paciente e a demanda que ele tem da mão no dia a dia.

Recuperação: o que esperar

Com fixação cirúrgica estável, a reabilitação começa cedo, muitas vezes ainda na primeira ou segunda semana, com movimentação assistida e depois ativa do punho. Isso é uma das grandes vantagens da cirurgia frente ao gesso prolongado: menos rigidez articular no fim do processo. De um jeito geral, a maioria dos pacientes recupera boa parte da função entre seis semanas e três meses, mas força de preensão plena e resistência para atividades mais exigentes podem levar mais tempo — isso varia bastante de paciente para paciente, e prefiro ser honesto sobre essa variabilidade do que prometer um prazo fechado. Fisioterapia orientada faz diferença real nesse período, principalmente para quem trabalha com as mãos ou pratica esporte.

Como procurar atendimento

Se você teve uma queda com a mão espalmada e o punho está dolorido, inchado ou com aspecto deformado, vale procurar avaliação com raio-X o quanto antes — quanto mais cedo a fratura é caracterizada, mais opções de tratamento conservador ficam abertas. Atendo esse tipo de caso em Recife, e a decisão entre gesso e cirurgia é sempre conversada com o paciente à luz do raio-X, da idade, da rotina e do que ele espera recuperar da mão.

Perguntas frequentes

Fratura de punho sempre precisa de cirurgia? Não. A maioria das fraturas sem desvio significativo trata bem só com gesso. A cirurgia entra quando há desvio importante, instabilidade ou comprometimento da articulação.

Depois da cirurgia, quanto tempo fico sem usar a mão normalmente? A movimentação começa cedo, em dias a poucas semanas, mas a recuperação de força e resistência plena costuma levar de dois a três meses, variando conforme o tipo de fratura e a fisioterapia.

Fratura de punho em pessoa idosa é sinal de osteoporose? Pode ser um indicativo importante, principalmente em mulheres após a menopausa. Vale investigar densidade óssea depois de uma fratura de baixo impacto como essa.

Gesso errado pode atrapalhar a consolidação? Sim. Por isso o acompanhamento com raio-X de controle nas primeiras semanas é importante — alguns fragmentos se deslocam dentro do próprio gesso, mesmo com a imobilização correta.

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