O polegar em gatilho na criança é um espessamento do tendão flexor do polegar que impede o tendão de deslizar pela polia na base do dedo. O resultado é um polegar que fica travado dobrado na última articulação e não estica, ou estica com um estalo. Quase nunca dói. Costuma ser percebido entre o primeiro e o terceiro ano de vida. Uma parte dos casos melhora sozinha com o tempo, outros respondem a órtese, e quando o polegar continua travado a cirurgia é simples e resolve de forma definitiva na grande maioria das crianças.
A cena no consultório se repete: os pais notaram que a criança nunca estica o polegar, às vezes depois de uma queda, e chegam preocupados com fratura ou luxação. O raio-x é normal. O exame mostra um nódulo na base do polegar, do lado da palma, e o diagnóstico fica claro em poucos minutos.
Neste artigo
O que causa o polegar em gatilho na criança?
O tendão que dobra a ponta do polegar passa por um túnel estreito na base do dedo, a polia A1. Na criança, o tendão forma um pequeno nódulo (conhecido como nódulo de Notta) que não passa bem por essa polia. Durante muito tempo se chamou essa condição de “congênita”, mas o polegar raramente está travado ao nascimento. O mais aceito hoje é que o problema se desenvolve nos primeiros anos de vida. A causa exata ainda não é conhecida.
Apesar do nome igual, não é a mesma doença do dedo em gatilho do adulto. No adulto, a inflamação da bainha do tendão causa dor e travamento, e a infiltração com corticoide costuma ajudar. Na criança, o problema é o nódulo no tendão, quase sempre sem dor, e a infiltração não faz parte do tratamento.
Como os pais podem reconhecer?
O sinal principal é o polegar dobrado na última articulação, que a criança não consegue esticar sozinha. Se você tentar esticar com cuidado, ele pode resistir ou passar com um estalo. Na base do polegar, do lado da palma, dá para sentir uma bolinha firme que se move quando o dedo mexe. Pode acontecer nos dois polegares.
Como não dói, muitas crianças se adaptam e pegam objetos normalmente, o que faz o problema passar despercebido por meses. Não force o polegar para esticar. Isso não resolve e pode incomodar a criança.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico é clínico, feito no exame físico pelo nódulo e pelo travamento. Em geral, nenhum exame de imagem é necessário. O raio-x só é pedido quando há dúvida, por exemplo após trauma. A principal condição a ser diferenciada é o polegar aduzido congênito, em que o polegar fica dobrado para dentro da palma por fraqueza dos músculos extensores, e que tem outro tratamento.
O polegar em gatilho da criança sempre precisa de cirurgia?
Não. Os estudos mostram que uma parte das crianças melhora espontaneamente ao longo de meses ou anos, embora a proporção varie bastante entre as séries publicadas. Por isso, em crianças pequenas e sem prejuízo de função, observar é uma opção razoável.
Observação e órteses
Durante a observação, acompanho a criança periodicamente para ver se o polegar está destravando. Em alguns casos uso uma órtese que mantém o polegar esticado, principalmente à noite. Ela exige paciência da família e funciona melhor quando usada com regularidade.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia é considerada quando o polegar continua travado depois de um período de observação, geralmente por volta dos três anos de idade, ou antes se o polegar está rigidamente travado e atrapalhando o uso da mão. Esperar indefinidamente não costuma ser boa ideia, porque um polegar travado por muitos anos pode desenvolver contratura da articulação.
Como é a cirurgia e a recuperação?
O procedimento consiste em abrir a polia A1 por um corte pequeno na prega da base do polegar, liberando o tendão para deslizar. Em crianças é feito com anestesia geral, dura poucos minutos e a criança vai para casa no mesmo dia. O polegar costuma esticar completamente ainda na sala de cirurgia.
A recuperação é rápida. Fica um curativo por alguns dias e a criança volta a usar a mão espontaneamente, sem necessidade de fisioterapia na maioria dos casos. A recidiva é rara. A cicatriz fica na prega da pele e, com o crescimento, tende a ficar pouco visível.
Perguntas frequentes
O polegar em gatilho da criança é grave?
Não é grave e não é urgente. É uma condição benigna, que quase sempre se resolve, sozinha, com órtese ou com uma cirurgia simples. Vale avaliar sem pressa, mas sem deixar passar anos.
Meu filho nasceu assim?
Na maioria das vezes, não. Apesar de ser chamado de congênito por muito tempo, o travamento costuma surgir nos primeiros anos de vida e raramente está presente ao nascimento.
Posso esticar o dedo em casa para ajudar?
Alongamentos suaves orientados pelo médico podem fazer parte do tratamento em alguns casos, mas forçar o polegar não resolve o nódulo e pode incomodar a criança.
Qual a idade certa para operar?
Não existe uma idade única. Em geral, a cirurgia é considerada quando o polegar segue travado por volta dos três anos ou quando o travamento é rígido e atrapalha o uso da mão.
Pode voltar depois da cirurgia?
É raro. A liberação da polia costuma resolver o problema de forma definitiva.
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