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Rizartrose: quando a cirurgia é indicada e como é a recuperação

Rizartrose: quando a cirurgia é indicada e como é a recuperação

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A rizartrose é a artrose da articulação na base do polegar, entre o osso trapézio e o primeiro metacarpo, e a cirurgia costuma entrar em cena quando a dor já não responde a órtese, anti-inflamatório e infiltração, ou quando ela limita gestos simples como girar uma chave ou abrir um pote. Antes disso, na grande maioria dos casos, dá para tratar sem bisturi.

Por que essa articulação dói tanto

A base do polegar trabalha em praticamente todo movimento de pinça: segurar um garfo, apertar um parafuso, digitar no celular segurando o aparelho. É uma articulação em sela, com bastante mobilidade, e isso tem um preço — ela sofre mais desgaste do que a maioria das outras articulações da mão. Com o tempo, a cartilagem afina, o espaço articular diminui e o osso reage formando pequenos osteófitos. É basicamente isso que aparece no raio-x quando o paciente já vem com queixa de anos.

Na prática, vejo mais rizartrose em mulheres depois dos 50, principalmente na fase da menopausa, mas também apareço com pacientes mais jovens que fizeram esforço repetitivo por anos — costureiras, cabeleireiras, quem trabalha muito com ferramenta manual.

Como reconhecer: nem toda dor no polegar é rizartrose

O sintoma clássico é dor na base do polegar ao fazer pinça — abrir uma garrafa, torcer uma toalha, escrever por muito tempo. Some a isso um inchaço discreto na região e, em fases mais avançadas, a deformidade em zigue-zague, com a base do polegar projetada para fora e a ponta do dedo desviada.

Esse quadro se confunde com tendinite de De Quervain, que também dói perto da base do polegar, mas ali a dor é mais lateral, no trajeto dos tendões, e não dentro da articulação. O exame clínico e, quando necessário, um raio-x simples resolvem essa dúvida rápido.

Tratamento sem cirurgia: o que realmente funciona

Antes de pensar em operar, a órtese de polegar já reduz bastante a dor em fases iniciais e intermediárias. Uso associado a anti-inflamatório em crises e, quando isso não é suficiente, infiltração com corticoide direto na articulação. Repito o que costumo dizer no consultório: a infiltração não regenera cartilagem, mas controla a inflamação e ganha tempo, às vezes meses, às vezes anos.

Fisioterapia com fortalecimento da musculatura ao redor do polegar também ajuda a proteger a articulação no dia a dia. Isso funciona bem quando o desgaste ainda é moderado.

Um erro comum é a pessoa insistir só em anti-inflamatório por conta própria, sem órtese e sem ajustar a atividade que sobrecarrega a articulação, e voltar ao consultório meses depois com um quadro bem mais avançado. Adaptar ferramentas de trabalho, usar cabos mais grossos, evitar giros bruscos do polegar — são medidas simples que atrasam bastante a evolução do desgaste, mesmo sem impedir a doença de progredir.

Quando a cirurgia entra em cena

Indico cirurgia quando o paciente já passou por órtese, anti-inflamatório e pelo menos uma infiltração, e a dor continua limitando a rotina — não consegue mais mexer, cozinhar, trabalhar. Também considero operar quando a articulação já está bastante deformada, mesmo com dor controlada, porque a tendência é piorar.

A técnica mais usada é a trapeziectomia, que é a retirada do osso trapézio, geralmente associada a uma reconstrução do ligamento usando um pedaço de tendão do próprio paciente para estabilizar a base do polegar. É uma cirurgia consolidada, com bom resultado funcional a longo prazo.

Recuperação: o que esperar

Depois da cirurgia, o polegar fica imobilizado por algumas semanas. A retomada de uso progressivo geralmente começa entre a quarta e a sexta semana, com fisioterapia orientando o ganho de força e amplitude. A recuperação completa — aquela em que o paciente esquece que operou — costuma levar de três a seis meses, e esse prazo tende a ser mais longo em quem tem profissão que exige esforço manual intenso.

Um ponto que sempre converso com o paciente antes de operar: a força de pinça fina melhora, mas raramente volta a ser exatamente como era antes do desgaste começar. A diferença, na prática, é pequena e não costuma atrapalhar a rotina.

Perguntas frequentes

Rizartrose tem cura?
Não existe cura no sentido de reverter o desgaste da cartilagem, mas dá para controlar bem a dor e manter a função da mão, seja com tratamento conservador, seja com cirurgia nos casos mais avançados.

Se eu não operar, a rizartrose vai piorar sempre?
Na maioria dos casos, sim, o desgaste tende a progredir com o tempo, mas o ritmo varia muito de pessoa para pessoa. Muita gente convive anos com sintomas leves a moderados, controlados só com órtese e ajuste de atividade.

A cirurgia deixa o polegar fraco?
Há uma redução de força bruta em relação à mão saudável, mas a maioria dos pacientes recupera força suficiente para as atividades do dia a dia e para grande parte das atividades profissionais.

Rizartrose aparece nas duas mãos?
Pode aparecer, sim, principalmente quando está relacionada à predisposição genética e à fase da menopausa, mas o grau de comprometimento costuma variar entre um lado e outro, e nem sempre os dois lados precisam de cirurgia ao mesmo tempo.

Rizartrose e artrite reumatoide são a mesma coisa?
Não. A rizartrose é um desgaste mecânico da articulação, ligado à idade e ao uso. A artrite reumatoide é uma doença inflamatória sistêmica que também pode afetar essa articulação, mas com outro mecanismo e outro tratamento de base.

Se a dor na base do polegar já atrapalha tarefas simples do seu dia, vale marcar uma avaliação. Atendo em Recife e o diagnóstico costuma ser rápido — na maioria das vezes, com exame clínico e um raio-x já é possível definir o melhor caminho.

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