Um dos maiores receios de quem recebe o diagnóstico de síndrome do túnel do carpo (STC) é achar
que a cirurgia é sempre inevitável. Na prática, o tratamento é individualizado: depende da intensidade
dos sintomas, do tempo de evolução e do grau de compressão do nervo mediano identificado nos
exames. Existem opções conservadoras e cirúrgicas, e cabe ao especialista indicar o caminho mais
adequado para cada caso.
Tratamento conservador (sem cirurgia)
Em casos leves a moderados, especialmente quando os sintomas são recentes, o tratamento não
cirúrgico costuma trazer bons resultados. As principais estratégias incluem:
Órtese noturna (tala de punho)
Mantém o punho em posição neutra durante o sono, reduzindo a pressão sobre o nervo mediano nas
horas em que os sintomas costumam piorar.
Modificação de atividades
Ajustes ergonômicos no trabalho e pausas em movimentos repetitivos ajudam a reduzir a sobrecarga
sobre o túnel do carpo.
Anti-inflamatórios
Podem ajudar a controlar a dor e a inflamação em fases iniciais, sempre sob orientação médica.
Infiltração com corticoide
Em casos selecionados, a infiltração local pode reduzir a inflamação ao redor do nervo e aliviar os
sintomas por um período, funcionando também como ferramenta diagnóstica em alguns casos.
Quando a cirurgia é indicada
A cirurgia costuma ser recomendada quando:
• Os sintomas são moderados a graves ou já duram muitos meses
• Há falha do tratamento conservador
• A eletroneuromiografia mostra compressão significativa do nervo
• Já existe perda de força ou atrofia muscular na base do polegar
• Os sintomas atrapalham significativamente o sono e as atividades diárias
O procedimento, chamado de liberação do túnel do carpo, consiste em seccionar o ligamento
transverso do carpo, aliviando a pressão sobre o nervo mediano. Pode ser realizado por técnica aberta
(com uma pequena incisão na palma da mão) ou endoscópica, dependendo do caso e da avaliação do
cirurgião.Recuperação pós-cirúrgica
A cirurgia costuma ser rápida, realizada em regime ambulatorial, com anestesia local. A maioria dos
pacientes:
• Retoma atividades leves em poucos dias
• Sente melhora expressiva do formigamento noturno já nas primeiras semanas
• Recupera a força de preensão de forma progressiva ao longo de algumas semanas a meses,
principalmente em casos mais avançados
O ponto mais importante
Quanto mais precoce o diagnóstico e o início do tratamento, maiores as chances de resolução
completa dos sintomas — muitas vezes sem necessidade de cirurgia. Adiar a avaliação, por outro
lado, aumenta o risco de dano permanente ao nervo. Se você convive com formigamento ou
dormência nas mãos, vale a pena conversar com um especialista para entender qual é a melhor
abordagem para o seu caso.