Agende sua consulta

WhatsApp - (81) 9 8620 - 0101

Ligue para agendar

Ligação - (81) 3877 - 8823

Doença de Kienböck: quando a dor no meio do punho vem de um osso sem circulação

Doença de Kienböck: quando a dor no meio do punho vem de um osso sem circulação

Doença de Kienböck: quando a dor no meio do punho vem de um osso sem circulação

A doença de Kienböck é a perda de circulação do semilunar, um osso pequeno que fica bem no centro do punho. Sem sangue chegando, o osso vai enfraquecendo, pode se fragmentar e, com o tempo, colapsar, levando à artrose do punho. Costuma aparecer em adultos jovens, mais em homens que trabalham com as mãos, e começa com uma dor no dorso do punho que muita gente confunde com tendinite ou entorse. Diagnosticada cedo, tem várias opções de tratamento que preservam a articulação. Diagnosticada tarde, as cirurgias passam a ser de salvamento.

No consultório, o paciente típico chega dizendo que o punho dói há meses, que fez fisioterapia, usou anti-inflamatório e nada resolveu de vez. O raio-x do começo foi normal. É esse histórico que me faz pensar em Kienböck.

O que causa a doença de Kienböck?

Ninguém sabe a causa exata, e eu prefiro ser honesto sobre isso com o paciente. O que se sabe é que vários fatores se somam. Alguns semilunares recebem sangue por poucos vasos, o que os deixa mais vulneráveis. Em muitos pacientes, a ulna é um pouco mais curta que o rádio (a chamada variância ulnar negativa), e isso concentra mais carga sobre o semilunar a cada esforço. Microtraumas repetidos, como em trabalhos com ferramentas que vibram ou impacto constante no punho, parecem contribuir.

Raramente existe um único trauma marcante na história. Quando existe, vale lembrar que uma fratura do escafoide também pode começar como uma “entorse” que não melhora, e as duas situações precisam ser diferenciadas.

Quais são os sintomas?

A dor fica no meio do dorso do punho, piora com esforço e com o punho dobrado para trás, como ao apoiar a mão para levantar da cadeira ou fazer flexão. Com o tempo aparecem inchaço discreto, perda de movimento e perda de força de preensão. Muitos pacientes só percebem o quanto perderam de força quando comparam com a outra mão.

Uma característica que confunde: a dor costuma ir e vir, com períodos de melhora. Isso faz a pessoa adiar a investigação justamente na fase em que o tratamento é mais simples.

Como é feito o diagnóstico?

O raio-x pode ser normal no início. Ele passa a mostrar alteração quando o semilunar já está mais denso, com fraturas internas ou achatado. A ressonância magnética é o exame que detecta a doença cedo, porque mostra a alteração da medula óssea antes de qualquer mudança no formato do osso. A tomografia ajuda a avaliar fragmentação e colapso quando a doença está mais avançada.

Com os exames, classificamos a doença em estágios (a classificação de Lichtman é a mais usada). O estágio, junto com a idade, a atividade do paciente e o comprimento relativo da ulna, é o que define o tratamento.

Como os estágios mudam o raciocínio

Nos estágios iniciais, o semilunar ainda tem formato normal e a meta é aliviar a carga sobre ele e dar chance de revascularizar. Quando o osso começa a colapsar, mas a cartilagem ao redor ainda está boa, ainda dá para fazer procedimentos que preservam o punho. Já com colapso avançado e artrose, a cirurgia deixa de tentar salvar o semilunar e passa a tratar a artrose.

Qual é o tratamento?

Na fase muito inicial, imobilização por algumas semanas e redução de carga podem controlar os sintomas, principalmente em pacientes mais jovens. Em adolescentes, a doença tende a ter evolução mais favorável e o tratamento costuma ser mais conservador.

Quando a dor persiste ou a doença progride, as opções cirúrgicas mais usadas são:

  • Encurtamento do rádio, indicado principalmente quando a ulna é mais curta. Igualar os dois ossos diminui a pressão sobre o semilunar.
  • Enxerto ósseo vascularizado, que leva ao semilunar um pedaço de osso com seu próprio vaso sanguíneo, tentando restaurar a circulação.
  • Carpectomia da fileira proximal ou artrodeses parciais, quando o semilunar já colapsou. Retiram ou fundem alguns ossos do carpo para manter um punho funcional e com menos dor.
  • Artrodese total do punho, reservada para artrose avançada e dor incapacitante. O punho perde o movimento de dobrar, mas ganha estabilidade e alívio da dor, e a mão continua funcionando.

A artroscopia de punho tem papel crescente aqui: permite ver diretamente o estado da cartilagem ao redor do semilunar, o que ajuda a escolher entre um procedimento que preserva a articulação e um de salvamento, e em alguns casos é usada no próprio tratamento.

O que acontece se não tratar?

A evolução natural varia bastante. Há pacientes que convivem anos com sintomas leves. Mas, na maioria dos casos que acompanho, o semilunar vai perdendo altura, os ossos vizinhos mudam de posição e a artrose se instala. A partir daí, as opções de tratamento ficam mais limitadas. Por isso dor no meio do punho que dura mais de algumas semanas, sem explicação clara, merece ressonância, mesmo com raio-x normal.

Perguntas frequentes

A doença de Kienböck tem cura?

Nas fases iniciais, alguns pacientes recuperam a circulação do semilunar e ficam sem sintomas. Nas fases avançadas, o objetivo passa a ser controlar a dor e manter um punho funcional, o que na maioria das vezes é possível com cirurgia.

Raio-x normal descarta Kienböck?

Não. No início, o raio-x pode não mostrar nada. A ressonância magnética é o exame que identifica a doença cedo.

Kienböck é causado por esforço no trabalho?

Esforço repetido e impacto no punho parecem contribuir, mas não explicam a doença sozinhos. Em geral é a soma de anatomia, circulação do osso e carga sobre o punho.

Preciso parar de trabalhar?

Depende da atividade e do estágio. Em muitos casos, ajustes de carga e uma órtese permitem continuar trabalhando enquanto o tratamento é definido. Trabalhos braçais pesados podem precisar de afastamento após uma cirurgia.

Quanto tempo leva a recuperação da cirurgia?

Varia com o procedimento. Em geral, há imobilização por algumas semanas, seguida de reabilitação, e a recuperação completa da força leva alguns meses.

Avaliação com cirurgião de mão em Recife

Se você tem dor no meio do punho há semanas, com exames iniciais normais, vale uma avaliação com cirurgião de mão antes que o osso perca altura. Atendo esses casos em Recife, e é possível agendar pelo WhatsApp do consultório ou pela página de contato.

Leia também

Está gostando do conteúdo? Compartilhe.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Está gostando? Compartilhe

AGENDE SUA CONSULTA!

Agende sua consulta com o Especialista Dr. André Pires.

CRM-PE 22725 | RQE 10709 e 11298

Agende uma consulta com o Especialista Dr. André Pires.